Ulysses e o Bloomsday

No dia 16 de junho foi comemorado mais um #Bloomsday. Ou seja, dia dedicado a Leopold Bloom, personagem de “Ulysses”, criado por James Joyce. Bloom vive sua Odisseia em apenas um dia: 16 de junho de 1904, enquanto caminha por Dublin. Uma data tão emblemática que, desde o final dos anos 1920, é feriado na Irlanda.

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Por isso destacamos um trecho icônico desta obra grandiosa que é “Ulysses”.

“Sim ele disse que era uma flor da montanha sim isso somos todas flores um corpo de mulher sim essa foi a única verdade que disse em toda a vida e o sol hoje brilha para ti sim isso foi o que gostei mais porque vi que entendia ou sentia o que é uma mulher e eu sabia que sempre havia de fazer dele o que quisesse e dei-lhe todo o prazer que pude excitando‑o até que me pediu para dizer sim ao princípio eu não quis responder só olhi ao mar ao longe e o céu estava a pensar em tantas as coisas que ele não sabia de Mulvey e do Senhor Stanhope e Hester e do papá e do velho capitão Groves e os marinheiros a brincar aos papagaios e ao eixo e ao lava pratos como lhe chamavam no cais e a sentinela diante da casa do governador com a coisa à volta do capacete branco pobre diabo meio assado e as raparigas espanholas a rir-se com as mantilhas e e os travessões altos e os pregões pela manha os gregos e os judeus e os árabes e não sei quem demónios mais de todos os extremos da Europa e Duke Street e o mercado da criação tudo a cacarejar junto de Larby Sharon e os pobres burros a resvalar meio da dormir à sombra nos degraus e os vagos enrolados nas mantas a dormir à sombra nos degraus das portas e as grandes rodas das carroças dos touros e o velho castelo com milhares de anos sim e aqueles mouros tão bonitos todos de branco e os turbantes como o reis pedindo para nos sentarmos um momentinho nas lojecas e Ronda com as velhas janelas das posadas 2 olhos a espreitar numa gelosia para o amante beijar as grades e as tabernas meio abertas à noite e as castanholas e a noite em que perdemos o barco em Algeciras o guarda‑nocturno a dar voltas por aí sereno com a sua lanterna e oh aquela tremenda profunda corrente oh e o mar o mar carmesim às vezes como fogo e os gloriosos poentes e as figueiras nos jardins da Alameda sim e todas as pequenas ruas estranhas e as casas vermelhas e azuis e amarelas e as roseiras e os jasmins e os gerânios e os cactos e Gibraltar como uma rapariga onde eu era uma Flor das montanhas sim quando pus a rosa nos meus cabelos como usavam as raparigas andalusas ou talvez eu devesse pôr uma vermelha sim e como ele me beijou debaixo da muralha e eu pensei que tanto faz ele como outro e depois pedi‑lhe com os olhos para pedir outra vez sim e depois ele pediu‑me se eu queria sim dizer sim minha flor da montanha e primeiro pus os braços à volta dele sim e puxei‑o para baixo para mim para que pudesse sentir os meus seios todos perfume sim e o coração batia‑lhe como louco e sim eu disse sim eu quero Sim.”

James Joyce: Ulisses. Trad.port., Lisboa, Livros do Brasil, 1989, pp.843‑844.

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